N.º 32 (2025): Jul - Set
Imagens em medicina

Gastroparésia pós-viral em lactente com hérnia diafragmática de Bochdalek tardia

Tiago Dias Esteves
Unidade de Cirurgia Pediátrica – Unidade Local de Saúde do Algarve, Portugal
Carolina Dias
Serviço de Pediatria, Hospital de Faro – Unidade Local de Saúde do Algarve, Portugal
Stéfanie Pereira
Unidade de Cirurgia Pediátrica – Unidade Local de Saúde do Algarve, Portugal
Raquel Lameira
Unidade de Cirurgia Pediátrica – Unidade Local de Saúde do Algarve, Portugal
Daniel Trigo
Serviço de Pediatria, Hospital de Faro – Unidade Local de Saúde do Algarve, Portugal
Rafaela Murinello
Unidade de Cirurgia Pediátrica – Unidade Local de Saúde do Algarve, Portugal

Publicado 03/27/2026

Como Citar

1.
Dias Esteves T, Dias C, Pereira S, Lameira R, Trigo D, Murinello R. Gastroparésia pós-viral em lactente com hérnia diafragmática de Bochdalek tardia. Alg Med [Internet]. 27 de março de 2026 [citado 18 de abril de 2026];(32):38-9. Disponível em: https://algarvemedico.org/index.php/am/article/view/19

Resumo

A gastroparésia é um atraso no esvaziamento gástrico, sem causa mecânica, em idade pediátrica, geralmente idiopática. Também pode surgir por iatrogenia ou após infeção. Apresenta-se com vómitos, saciedade precoce e dor abdominal.1,2,3 O caso presente corresponde a um lactente de 7 meses, previamente saudável, que recorreu ao serviço de urgência por infeção respiratória e vómitos incoercíveis, com dejeções mantidas. Na admissão, fez um painel de vírus positivo para SARS-CoV-2 e uma radiografia torácica. Esta imagem foi sugestiva de hérnia diafragmática congénita de Bochdalek (HDC), bem como franca distensão gástrica (do tórax até ao hipogastro) e com conteúdo. A ecografia que não identificou movimentos gástricos. Por suspeita de gastroparésia pós-viral, foi internado para tratamento sintomático. Após um mês de internamento, a criança ainda se encontrava dependente de nutrição parentérica (NP), mas estável do ponto de vista nutricional. Foi submetido a laparotomia para correção da HDC (estômago e baço herniado) e colocação de sonda nasojejunal. O pós-operatório decorreu favoravelmente. Foi possível realizar o desmame da NP com a alimentação entérica em débito contínuo, depois em bólus, e ao fim de 20 dias, por via oral. Teve alta a D22 de pós-operatório. Com 8 meses de pós-operatório tem adequado desenvolvimento sem complicações. Destaca-se a importância da equipa multidisciplinar para gerir um doente com patologias distintas, ambas com impacto na resolução da intolerância alimentar. Também reforça os achados da literatura, sobre a duração incerta de resolução da gastroparésia, no desafio terapêutico que é tratar esta condição.

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Referências

  1. Febo-Rodriguez L et al. Childhood gastroparesis is a unique entity in need of further investigation. Neurogastroenterol Motil. 2020 Mar;32(3):e13699. doi: 10.1111/nmo.13699. Epub 2019 Aug 13. PMID: 31407456; PMCID: PMC7015769.
  2. Kovacic K et al. Update on pediatric gastroparesis: A review of the published literature and recommendations for future research. Neurogastroenterol Motil. 2020 Mar;32(3):e13780. doi: 10.1111/nmo.13780. Epub 2019 Dec 18. PMID: 31854057.
  3. Tillman EM et al. Pharmacologic Treatment for Pediatric Gastroparesis: A Review of the Literature. J Pediatr Pharmacol Ther. 2016 Mar-Apr;21(2):120-32. doi: 10.5863/1551-6776-21.2.120. PMID: 27199619; PMCID: PMC4869769.